Page 50 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
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diagnóstico e tratamento pode levar a taxas Material e Métodos
de mortalidade não negligenciáveis. Realizou-se um estudo retrospetivo,
A MA é mais frequente em crianças do sexo observacional e descritivo de todas os doentes
masculino e seu pico de incidência é entre o em idade pediátrica (menores de 18 anos)
segundo e terceiro anos de vida, semelhante admitidos no Hospital Dona Estefânia, com
ao que ocorre na OMA . O desenvolvimento possível diagnóstico de MA no período de 1
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de um abscesso subperiósteo (AS) é a de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2021
complicação mais frequente de MA, com (n=340). O diagnóstico de MA foi considerado
uma incidência que varia entre 10 e 32% . A quando na presença de OMA e um ou mais sinais
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via clássica de desenvolvimento de AS ocorre clínicos sugestivos de MA: sinais de inflamação
através da erosão do osso da mastóide e saída periauricular como eritema, rubor ou edema,
de conteúdo purulento pelo periósteo. Em perda do sulco retroauricular ou protrusão
alguns casos, a erosão óssea não é evidente, do pavilhão auricular. Entre estes doentes
e outras vias possíveis podem ser atribuídas foram posteriormente selecionados aqueles
à disseminação da infecção através da sutura com presença de Abcesso Subperiósteo
timpanomastoidea e/ou através de canais (n=74). O diagnóstico de AS foi definido
vasculares no espaço subperiosteal . como a presença de AS na mastoidectomia,
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A antibioterapia intravenosa é a opção ou a presença de pus na punção aspirativa
terapêutica indiscutível na gestão destes ou incisão retroauricular. Foram excluídos os
doentes, porém, o tipo de abordagem cirúrgica doentes com otite média crónica, presença
continua a ser debatido. Alguns autores de colesteatoma, mastoidectomia prévia
defendem abordagens mais conservadoras no ouvido ipsilateral, história de fractura do
com drenagem do abcesso (punção aspirativa osso temporal ipsilateral ou registos clínicos
retroauricular e/ou incisão) com miringotomia incompletos. Após a aplicação dos critérios de
(com ou sem colocação de tubo de ventilação exclusão, a nossa população final incluiu 56
transtimpânico), enquanto outros defendem doentes. Todas as crianças foram avaliadas por
um limiar mais baixo para a realização de um especialista em otorrinolaringologia.
mastoidectomia canal wall up 10-13 . No maior Os processos clínicos destes doentes foram
estudo multicêntrico de doentes com AS, revistos e foram recolhidas informações clínicas,
analisando os registos clínicos entre 1993 e 2007 achados relevantes no estudo laboratorial
da população sueca, não foi observado maior ou de imagem, complicações e abordagem
risco de complicações no grupo de doente terapêutica. As culturas analisadas foram
tratados com drenagem em comparação obtidas por aspirado do conteúdo purulento
com o grupo em que a mastoidectomia foi do AS, ou a partir do ouvido médio após
realizada . No entanto, nenhum dos trabalhos timpanocentese ou da cavidade mastóidea
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é ainda definitivo nos seus resultados, havendo quando a mastoidectomia foi realizada.
necessidade do desenvolvimento de meta- Os doentes foram divididos em três grupos:
análises ou recomendações internacionais (1) - tratados com drenagem do AS (aspiração
sobre o tema. por agulha e/ou incisão do abscesso);
O objectivo principal deste estudo é a (2) mastoidectomia canal wall-up;
comparação dos resultados cirúrgicos dos (3) - submetidos a drenagem do AS e
doentes submetidos a drenagem de AS face mastoidectomia.
aos submetidos a mastoidectomia. Como As características epidemiológicas dos doentes
objectivos secundários serão analisados os com diagnóstico de AS nos últimos cinco anos
dados demográficos, características clínicas e foram comparadas com os 17 anos anteriores.
abordagem dos doentes com diagnóstico de Utilizamos análise univariada (teste exato de
AS, comparando os últimos 5 anos, face aos 17 Fisher bicaudal para variáveis categóricas e teste
anos anteriores. T ou teste U de Mann-Whitney para variáveis
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