Page 52 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
P. 52

Tabela 2
          Características Clínicas dos doentes com AS em idade pediátrica comparados por grupo de tratamento

                                              Grupo 1 (n=43)  Grupo 2 (n=6)    Grupo 3 (n=7)
                                               Drenagem      Mastoidectomia    Drenagem e        Valor p
                                                 do AS                        Mastoidectomia
                                                 2 anos           3 anos          3 anos
          Média de Idades                                                                       p= 0.6104
                                                e 3 meses       e 4 meses        e 8 meses
          Episódios Prévios de OMA               17 (40%)        3 (50%)          4 (57%)       p=0.664
          História de Doença Crónica             5 (12%)          1 (17%)         2 (29%)       p=0.443
          Estudo Microbiológico                  14 (33%)        2 (33%)          2 (29%)       p=0.977
          Média dos valores de PCR                72.9             83.8             81.8        p=0.7927
          à admissão  (mg/L)

          Média da contagem de Leucócitos
          à admissão (x103/µL)                     15.4            16.1             15.9        p=0.4954
          Antibioterapia prévia à admissão      20 (47%)         4 (67%)          5 (71%)       p=0.364
          Duração da Hospitalização até            1.7             2.1              1.9         p=0.6450
          à cirurgia, dias
          Duração total da Hospitalização, dias    8.8             10.5             10.7        p=0.0136

          Recorrência do AS                       2 (5%)          1 (17%)         1 (14%)       p=0.16013
          AS - Abcesso Subperiósteo; OMA - Otite Média Aguda; PCR - Proteína C Reactiva

         microbiológico, o que representa um aumento        realizada predominantemente quando havia
         estatisticamente    significativo   (p<0,00001).   suspeita  de  uma  complicação  intracraniana
         Streptococcus pneumoniae foi o agente mais         (por imagens de tomografia computadorizada
         frequentemente isolado (n=4; 44%). Também          ou achados clínicos).
         foram identificados Pseudomonas aeruginosa
         (n=1), Streptococcus pyogenes (n=1), Klebsiella    Tratamento Médico
         pneumoniae  (n=1),  Staphylococcus  cohnii         À admissão hospitalar, há referência a que
         (n=1) e Fusobacterium necrophorum (n=1).           52% dos doentes tinham sido previamente
         Não foram encontradas diferenças estatistica-      tratados com antibiótico oral para OMA.
         mente  significativas  no  estudo  laboratorial,   Nos últimos cinco anos, esse número subiu
         entre grupos de tratamento, nomeadamente           para 82%, o que representa um aumento
         no que refere aos valores de Proteína C Reativa    estatisticamente  significativo  (p  <0,00001)
         e contagem de leucócitos, à admissão (Tabela 2).   (Tabela 1). No entanto, não existiram diferenças
                                                            estatisticamente  significativas  entre  grupos
         Diagnóstico Imagiológico                           de tratamento. Os antibióticos orais mais
         Tomografias  computadorizadas  (TC)  foram         prescritos   foram    amoxicilina/clavulanato
         obtidas em 37 dos 56 doentes. O número de          (n=13), amoxicilina (n=10), cefalosporinas de 2ª
         doentes com estudo imagiológico aumentou           geração (n=5) e azitromicina (=1).
         significativamente  nos  últimos  cinco  anos      Todos  os doentes  foram  submetidos  a
         (p=0.0060); 100% dos doentes foram avaliados       antibioterapia intravenosa empírica. Durante
         com TC nos últimos cinco anos em comparação        o período do estudo, a maioria dos pacientes
         com 33% nos dezassete anos anteriores. Quatro      (73.2%)   recebeu    uma    combinação     de
         casos realizaram ressonância magnética (RM),       antibióticos e apenas 26.8% foram tratados
         nos primeiros dezassete anos e quatro nos          com monoterapia. A terapia de associação
         últimos cinco anos, o que representa um            mais comum foi uma cefalosporina de terceira
         aumento  significativo  (p=0.0172).  A  RM  foi    geração com penetração meníngea e cobertura



     208  Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
   47   48   49   50   51   52   53   54   55   56   57