Page 26 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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RESULTADOS ter cantado num coro ou agrupamento musical.
Foram avaliados 134 inquéritos. Analisaram-se de forma No total da população inquirida, de entre os hobbies que
individual os aspectos relativos à população, aos hábitos da implicam o uso activo da voz, sobressaem o canto em 89,5%
vida diária, queixas e cuidados vocais e às mezinhas utilizadas. dos casos, e que inclui variantes de canto coral religioso,
As respostas não preenchidas ou consideradas inválidas foram outros coros ou canto livre; o treino desportivo em 8,8% e o
definidas como não sabe ou não responde (NS/NR). teatro em 3,5% dos casos.
A percentagem de inquiridos que refere ter noções relativas
POPULAÇÃO aos cuidados a ter com a voz é de 59,7%. A aquisição desses
A idade média das pessoas inquiridas é de 43 anos (+/- conhecimentos foi feita, segundo os próprios, em diferentes
13,78), com um mínimo de 15 anos e um máximo de 81 meios (Tabela 3). Relativamente à técnica vocal, 68,8% afirma
anos. A maioria dos inquiridos é do sexo feminino (67,2% vs. não ter conhecimentos nesta área.
32,8%). Todos os indivíduos são de nacionalidade portuguesa, Dos 16,4% que referem ter conhecimentos de técnica vocal,
residindo a maioria no Porto (62,7%) e em Aveiro (29,9%). A em 54,5% dos casos estes foram adquiridos num coro ou
maioria dos indivíduos inquiridos apresenta um peso normal associados ao canto coral, 9% através de formação musical,
(Tabela 1). 9% em aulas de canto e 9% esses conhecimentos foram
adquiridos em workshops. Os restantes NS/NR.
TABELA 1
Índice de massa corporal (IMC) Hábitos, queixas e cuidados vocais
Quando questionados sobre hábitos e cuidados vocais,
IMC 70,9% afirma não evitar qualquer tipo de situação, ambiente
< 18,5 2,2% ou actividade, que considere causar dano vocal. Dos 28,4%
18,6 – 24,9 57,5% que dizem evitar essas situações, o maior destaque vai para
25,0 – 29,9 29,1% a evicção de ambientes com fumo de tabaco (50%), seguida
da evicção de variações de temperatura (18,4%), de ar
30,0 – 34,9 3,7% condicionado (15,8%), bebidas geladas (13,2%), ambientes
35 – 39,9 0,7% com ruído (7,9%) e bebidas quentes (2,6%) ou alcoólicas
(2,6%).
Pertencem a agregados familiares que vão desde a pessoa Relativamente ao uso de cachecol ou lenço, 33,6% usam-no
singular em 7,4% dos casos, até agregados com 5 ou 7 habitualmente como medida de “protecção da garganta”.
elementos em 5,2 e 0,7% respectivamente. A maioria, no Dos hábitos alimentares destaca-se o facto de 79,9% negar
entanto, faz parte de agregados com 2 (20,1%), 3 (26,9%) a ingestão de bebidas alcoólicas de forma habitual. Apenas
ou 4 elementos (24,6%).A tabela 2 apresenta a distribuição 5,2% ingerem bebidas com alto teor alcoólico e destes 8,2%
das profissões e das formações escolares dos indivíduos fá-lo apenas em situações sociais.
inquiridos. Uma dieta equilibrada faz parte da vida de 80,6% das pessoas
Das pessoas auscultadas 73,8% refere utilizar a voz inquiridas, sendo que apenas 1,5% apresenta um regime
profissionalmente. A média de horas de uso vocal diário é de alimentar tipo vegetariano ou macrobiótico. Algumas evicções
6,8 (+/- 2,3) h, com um mínimo de 2h e um máximo de 14h. alimentares são relatadas por 4,5% dos inquiridos, das quais
Mesmo entre os que negam essa utilização profissional, se destacam o chocolate, água gelada e as nozes. A ingestão
verificamos que 38,8% dos inquiridos têm hobbies que diária de bebidas geladas ocorre em 14,9% dos inquiridos.
implicam o uso intensivo da voz e 64,2% refere cantar ou já Relativamente à ingestão diária de água 90,3% afirma ingerir
TABELA 2
Formação escolar e profissão
Formação Profissões
1º Ciclo 12,3% Professor e educador de infância 52,2%
2º Ciclo 2,3% Aposentado 6,7%
3º Ciclo 5,4% Estudante 3,7%
Secundário 10% Empresário 3,7%
Bacharelato 3,1% Psicólogo 3,7%
Licenciatura 58,5% Auxiliar de acção educativa 3,0%
Mestrado 7,7% Cantor profissional 2,2%
Outros: advogado, médico, enfermeiro, engenheiro, escriturário, motorista, doméstica,
Doutoramento 0,7% 24,8%
economista, bancário, assessora, etc.
144 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

