Page 18 - Revista SPORL - Vol 47. Nº1
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• Carla d'Espiney Amaro, et al

              ou mesmo de involução do tumor (sobretudo na altura  RESULTADOS
              da puberdade) do doente e em tumores residuais ou re-  Sexo e idade
              cidivantes submetidos a cirurgia prévia 1.11-12. Devido aos  Todos os doentes pertenciam ao sexo masculino. A idade
              seus efeitos secundários como a alteração do crescimen-  média de aparecimento dos sintomas foi de 16 anos,
              to do maciço facial e a indução de segundos tumores  com uma idade maxima de 24 anos e uma idade minima
              primários, não existe um verdadeiro consenso relativa-  de 5 anos (Tabela II). Desconhece-se a idade em surgiram
              mente a radioterapia, sendo esta reservada sobretudo  as queixas, de um dos doentes operados por recidiva do
              para os tumores com invasão intracraneana (particular-  tumor. Quando foi enviado ao 'PO tinha a idade de 50
              mente com grande envolvimento do seio cavernoso) e  anos.
              para os tumores recidivantes1-13.
                 Os autores deste trabalho propõe-se tentar definir  FORMA DE APRESENTAÇÃO
              os principals factores de persistência/ recidiva de tumor,  As principais formas de apresentação do tumor foram a
              nomeadamente a importância a embolização prévia a  obstrução nasal persistente (25 doentes) e a epístaxis (24
              cirurgia, dos doentes submetidos a cirurgia por anglofi-  doentes). 4 doentes apresentavam também hipoacúsia,
              broma no serviço de ORL do IPOEGL-EPE.            1 doente tinha diminuição da acuidade visual, 1 doente
                                                               referia cefaleias e noutro era obervado tumefacção da
              MATERIAL E MÉTODOS                               hemiface (Tabela II).
              Selecção dos doentes e estadiamento                  A duração média das queixas foi de 11 meses, com
              Realizou-se uma avaliação retrospectiva com consulta  um máximo de 3 anos e um mínimo de 5 meses.
              dos processos clínicos dos doentes submetidos a cirurgia  Um doente (N515 na tabela II) foi enviado ao IPOFG
              por angiofibroma nos anos de 1991 a 2007 no serviço  de Lisboa por recorrência de tumor. Teria sido operado
              de ORL do IPOFG de Lisboa. Obtiveram-se 28 doentes.  30 anos antes noutra instituição desconhecendo-se a
             Todos os processos clínicos foram observados. O follow-  primeira abordagem cirúrgica. Outro doente enviado
              up médio foi de 43 meses com um mínimo de 4 meses e  por recidiva do tumor terá sido operado 1 ano antes
              um máximo de 15 anos.                            noutra instituição por via endoscopica. Todos os outros
                 O estadiamento foi feito de acordo com a classifica-  doentes foram referenciados de outras instituições sem
             ção de Radkowski (tabela I) 14.                   intervenções prévias.
                                                                               Idade
              Estádio                                                                                Duração
                                                                    N'       diagnostico  Sintomas    (meses)
                                                                     1           7                      12
                    Tumor limitado A cavidade nasal ou ao tecto da                        ON, E, H
               IA                                                    2           8        ON, E, H       3
                    nasofaringe
                                                                     4           6        ON, E, H      12
                    Tumor que invade a cavidade nasal e/ou o tecto da  5        8          ON           12
               12   nasofaringe e se extende a pelo menos um seio    6          13         ON           24
                    perinasal                                        7           5          E           24
                                                                     8          20         ON, E
               IAA  Invasão minima da fossa pterigopalatina          9          22         ON, E        12
                    Invasão de toda a fossa pterigopalatina com ou sem  10      9          ON           3
               IIB                                                  11
                    erosão da parede orbitaria                                  11         ON, E        12
                                                                    12          16         ON, E        8
                    Extensão A fossa infratemporal, ou extensão     13          16         ON, E        6
               ilc  posterior, para além das lâminas da apófise pterigoi-  14   24         ON, E       36
                    deia (espaço paratubario, espaço parafaringeo)  15          ?R         ON, E        4
                    Erosão da base do crâneo (buracos oval, grande  16          17         ON E         12
               IIIA  redondo, corpo apófise oterigoidela, clivus),  17          22         ON, E        12
                    extensão intracraneana minima                   18          16       ON, E, H       12
                                                                    19          11        ON, E         12
                    Extensão intracraniana massiva com ou sem invasão  20       is         ON, E        6
               IIIB
                    do deio cavernoso                               21          22          E            ?
                                                                    22         22         ON, E         12
             TABELA I. ESTADIAMENTO DO ANGIOFIBROMA SEGUNDO         23          17        ON, E         7
                     RADKOWSKI.                                     24          27        ON C          ?
                                                                    25          17        ON E          5
                                                                    26          is        ON, E         9
                                                                    27          17       E AC TF        5
             ANALISE ESTATÍSTICA                                    28          12       ON, E, R       5
             O estudo de correlacções entre as variáveis e as per-  TABELA II. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DOS DOENTES.
             sistências e ou recidivas foram feitas com o estudo de  R - RECIDIVA, AG -  ANGIOHBROMA, SINTOMAS: ON -  OBSTRUÇÃO
             Spearman. O estudo estatístico foi realizado utilizando a  NASAL, E -  EPISTAXIS, H  -  HIPOACCISIA UNILATERAL, C  -  CEFALEIA,
             versão de SPSS 16.0 do software estatístico. Foi conside-  TF -  TUMEFACÇÃO DE HEMIFACE, AV  -  DIMINUIÇÃO DA ACUIDADE
                                                               VISUAL.
             rado estatisticamente significativo quando se obtinham
             valores de p<0.05.


          16 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CERVICO-FACIAL
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