Page 75 - Revista SPORL - Vol 43. Nº3
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HERÉDIO SOUSA; RITA  FERREIRA; SARA BAPTISTA; CRISTÓVÃO  RIBEIRO; VITOR  DE  SOUSA;
           MARQUES PINTO; EZEQUIEL BARROS





           a  identificação de mutações no gene Gs-a com         O  osteossarcoma,  fibrossarcoma,  condros-
           consequente  alteração  da  actividade  da         sarcoma e sarcoma de células gigantes são os
           GTPase  ou  da  proteína  transdutora  de  sinal   tumores  malignos associados.
           Gs,  constituem  marcos  importantes  para  o         Aparecimento  de  queixas  álgicas,  cresci-
           esclarecimento  das  bases  etiopatogénicas        mento  rápido e  aumento de fosfatase  alcalina
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           desta doença •                                     sugerem  transformação maligna .
              A  D.F.  é uma doença rara, benigna, de pro-       O  tempo  médio entre o  diagnóstico de D.F.
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           gressão  lenta,  que  atinge  igualmente  ambos    e a  transformação maligna é de  13,5 anos •
           sexos  e  é  mais  frequentemente  diagnosticada      Anteriormente,  na  D.F.  crânio-facial  o  osso
           em crianças ou adultos  jovens.                    frontal  era considerado o  mais frequentemente
              A  forma  monostótica  representa  70%  dos     afectado  seguindo-se,  por ordem  decrescente,
           casos,  enquanto  que  a  poliostótica  representa   o  esfenóide,  o  etmóide,  o  parietal,  o  temporal
           os 30% restantes.                                  e o  occipital.
              Alguns autores  consideram  a  forma  monos-       Dados mais recentes obtidos através de méto-
           tótica e a  forma  poliostótica duas doenças dife-  dos imagiológicos modernos (T.C.  e R.M)., colo-
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           rentes.  Acredita-se  que  a  incidência  da  forma   cam o osso etmóide como o osso mais atingido .
           monostótica possa ser superior àquela referida        Clinicamente  manifesta-se  por  síndromes
           porque frequentemente as lesões por ela provo-     dismórficos  com  tumefacções  de  consistência
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           cadas permanecem assintomáticas •                  dura,  indolor e  não inflamatória.
              O  síndrome de McCune-Aibright é uma vari-         Por  vezes  estas deformações podem  atingir
           ante da  D.F.  poliostótica que está  associada  a   grandes proporções,  designadas por leontíase
           manifestações extra-ósseas, nomeadamente en-       óssea.  Um sintoma oftalmológico isolado cons-
           dócrinas, a pigmentação cutânea e a puberda-       titui  um  sinal de alerta  para o  médico.
           de precoce.                                           O  envolvimento  orbitário  manifesta-se  por
              Esta  forma  é  quase exclusiva  do sexo  femi-  proptose,  diplopia ou diminuição da acuidade
           nino,  embora  haja  alguns  casos  descritos  no   visual.  Os  mecanismos  que  levam  à  lesão  do
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           sexo masculino .                                   nervo óptico são múltiplos.
              As  manifestações endócrinas compreendem           No  1  º caso  clínico  embora  não  haja  quei-
           hipertiroidismo,  hiperparatiroidismo,  síndrome   xas  oftalmológicas,  observa-se  na  T.C.  algum
           de Cushing,  ginecomastia e diabetes insípida.     grau  de compressão do  nervo  no seu  tra jecto
              O  hiperparatiroidismo  é  a  endocrinopatia    no canal óptico (Figura 5).
           mais frequente, ocorrendo em  5% dos doentes          A  D.F.  do osso temporal é  muitas vezes dia-
           com  o  síndrome de McCune-Aibrighr.               gnosticada fortuitamente através de um  exame
              Estas  manifestações correspondem à  disfun-    radiológico.  Habitualmente  é  unilateral  e  está
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           ção congénita do eixo hipotálamo-hipofisário .     associada  a  surdez  de condução,  que  é  atri-
              Em  mais  de  50%  das  formas  poliostóticas   buída maioritariamente à compressão do canal
           observam-se  manchas  irregulares  de  cor  café   auditivo externo e,  por vezes, à compressão da
           com  leite,  localizadas no  pescoço,  região dor-  trompa  de Eustáquio.  A  estenose do canal  au-
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           sal,  tórax,  ombros e pélvis •
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              A  probabilidade de transformação  maligna      colesteatoma em 40% dos casos .
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           na  D.F.  é de 0.5% • •                               O  envolvimento do ouvido  interno na ausên-
              Nos doentes portadores do síndrome de Mc-       cia de colesteatoma é raro, estando contudo des-
           Cune-Aibright  foram  encontrados,  no  entanto,   critos casos de estenose do canal auditivo interno 4
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           valores  na ordem dos 4% e esse  risco aumenta     e de atingimento directo do labirinto ósseo com
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           para 44% com  a  utilização de radioterapia • •    consequente sintomatologia cócleo-vestibular.

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