Page 100 - Revista SPORL - Vol 43. Nº3
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Rev.  Port.  ORL. n. o 43, n. o 3,  ................  , Setembro 2005     r.fl~,"~
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                             RECOMENDAÇÃO APROVADA PELA DIRECÇÃO DA SPORL
                            GRUPO DE  RASTREIO E INTERVENÇÃO DA SURDEZ INFANTIL
                                                           GRISI

               Participantes na elaboração do documento:


               Adelina  Lopes  Motta  da Cruz - Enfermeira
               Ana Sena Alvarenga- Audiologista
               Eunice Soares - Pediatra
               Eusébio Gomez Cabo -Otorrinolaringologista
               Fernanda Castro- Otorrinolaringologista
               José  Saraiva - O torrinolaringologista
               L uis Sotero Gomes - O torrinolaringologista
               L uisa Monteiro- Otorrinolaringologista
               Maria Amélia  Cavaco - Pediatra
               Miguel Bebiano Coutinho - Otorrinolaringolo-gista
               Nora Vaez da Cruz -Audiologista
               Paula  Freitas- Audiolog ista



                  No  âmbito  do  desenvolvimento  de  uma      ditivo  neonatal,  identificaremos  apenas  50%
               política  nacional  de  saúde  que  dê  prioridade   dos casos de surdez.
               ao diagnóstico precoce da surdez e  sua  inter-    P or  outro  lado  existe  evidência  clínica  de
               venção,  constituiu-se  o  Grupo  de  Rastreio  e   que a  intervenção  precoce  influencia decisiva-
               Intervenção da Surdez Infantil (GRISI).          mente  o  prognóstico  do  desenvolvimento  lin-
                  Este  grupo de trabalho,  aberto e  multidisci-  guístico,  cognitivo e social da criança.
               plinar,  reúne  profissionais  com  experiência    Tendo  em  vista  que  a  audição  normal  é
               nesta  área.                                    essencial  para o desenvolvimento da fala e da
                 O  objectivo deste grupo é a  implementação   linguagem  oral,  o  grupo considera  que  todos
               de um  programa nacional de detecção e inter-   esforços deverão ser efectuados  no  sentido de
               venção  auditiva  precoce,  padronizando técni-  identificar todas as  crianças com  perda  auditi-
              cas e metodologias,  através de acções con jun-  va  antes  dos  três  meses  de  idade  e  iniciar  a
              tas  entre  os  vários organismos oficiais e  asso-  intervenção até aos seis meses.
              ciações profissionais.                              Por  estes  motivos,  recomenda-se  actual-
                                                               mente  o  rastreio auditivo  universal  no  período
              FUNDAMENTAÇÃO                                    neo-natal.
                                                                  É fundamental  que  um  programa  de  diag-
                 A  incidência de perda auditiva  bilateral sig-  nóstico  precoce  de ~udição neonatal  funcione
              nificativa  é  estimada  em  1  a  3  por  1000   adequadamente para que se cumpra o objecti-
              recém-nascidos  saudáveis e  em  20  a  40  por   vo  de  detectar  todos  os  casos  de  surdez  pre-
              1  000  recém-nascidos  de  risco,  sendo  assim   sentes  ao nascer.
              muito superior à  de outras  patologias que são     A  perda auditiva pode ser adquirida após o
              alvo de rastreio precoce sistemático.            nascimento,  pelo  que não se  pode descurar a
                 Se  utilizarmos os  indicadores de risco como   vigilância  ao  longo  dos  primeiros  anos  de
              único critério para a  realização do rastreio ou-  vida,  o  que  implica  um  esforço  dos  profissio-


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