Page 62 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 60. Nº3
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estudo foi de 65,5 anos (58,8-70,0), semelhante em estadio precoce (T1-T2). Pelo referido,
à descrita na literatura 5,10 . e até que exista mais informação sobre o
Os principais fatores etiopatogénicos do tratamento das lesões pré-malignas laríngeas,
carcinoma in situ laríngeo são os hábitos é indicado o mesmo tipo de tratamento que
tabágicos e alcoólicos, tendo efeito sinérgico aquele que se sabe ser eficaz no tratamento
entre si . Mais de 80% da população neste do carcinoma invasivo em estadio precoce,
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estudo apresentava hábitos tabágicos ou esperando que o resultado seja semelhante .
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alcoólicos, e 67,5% da mesma apresentava As normas de orientação clínica da National
estes dois hábitos de forma concomitante. Comprehensive Cancer Network (NCCN)
Quando o carcinoma in situ se localiza na recomendam como opções terapêuticas para
supraglote ou suglote é mais frequentemente o carcinoma in situ da laringe a ressecção
assintomático. O descrito, leva a que a cirúrgica da lesão ou a RT, dando preferência à
observação direta da laringe seja muitas primeira opção, tendo por base estudos sobre
vezes adiada até ao surgimento de sintomas, eficácia do tratamento em carcinomas da
altura em que a lesão será provavelmente laringe em estadios T1-T2 6,14,15 . Vários autores
mais extensa/maligna . Esta poderá ser uma defendem iguais resultados terapêuticos
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justificação para o facto de os carcinomas com recurso a cirurgia ou RT no tratamento
in situ laríngeos serem muito mais do carcinoma in situ da laringe . De forma a
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frequentemente diagnosticados na glote, fazer a comparação entre o tratamento com
localização que se associa frequentemente recurso a resseção cirúrgica com a utilização
a disfonia, e que, portanto, motiva o doente de RT, a população total foi dividida em dois
a procurar avaliação mais precoce . Neste grupos de acordo com o tratamento a que
1,10
estudo, 96,6% dos carcinomas in situ tinham foram submetidos. Umas percentagens
uma localização glótica. maioritárias dos doentes foram submetidos a
Neste estudo, o aspeto macroscópico mais cirurgia (74,6% da população), o que segue as
frequentemente identificado foi leucoplasia recomendações da NCCN. Aos doentes com
(35,8%), seguida de lesão exofítica (33,9%), lesões dispersas por uma área mais extensa,
eritroleucoplasia (13,2%), hiperqueratose (9,4%) fatores anatómicos (má exposição glótica),
e por fim eritroplasia (7,5%). Sabe-se que não alto risco anestésico ou preferência do doente
existe um aspeto macroscópico específico por RT, foi proposto este último tratamento.
para carcinoma in situ, encontrando-se Não foram encontradas diferenças estatistica-
descrito na literatura de forma variável como mente significativas no que diz respeito a
hiperqueratose, leucoplasia, eritroleucoplasia, características demográficas (sexo ou idade),
eritroplasia ou lesões exofíticas . Apesar localização do carcinoma na laringe ou na
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de frequentemente surgir sob a forma glote, ou no aspeto macroscópico da lesão
de leucoplasia, este tipo de alteração entre os dois grupos. Quando comparadas
macroscópica pode ter diferentes tipos de taxas de recidiva ou no tempo até recidiva, não
caracterização histológica. Isenberg et al. foram observadas diferenças estatisticamente
avaliou histologicamente 2188 leucoplasias significativas entre grupos de doentes tratados
laríngeas, identificando ausência de displasia com recurso a ressecção cirúrgica e aqueles
em 53,6%, displasia ligeira/moderada em 33,5% tratados com RT. O referido vai ao encontro do
e carcinoma in situ em 15,2% . que se encontra descrito na literatura 3,5,7 .
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A escolha do tratamento das lesões A sobrevida relacionada com o carcinoma
precursoras malignas laríngeas, onde se insere in situ laríngeo é bastante alta. Os casos
o carcinoma in situ, é ainda controversa. A de mortalidade parecem estar associados
maioria do conhecimento que se tem sobre o a transformação maligna . A maioria dos
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tratamento deste tipo de lesões, baseia-se em doentes com este tipo de lesões pré-malignas
estudos sobre carcinomas laríngeos invasivos são grandes fumadores e com hábitos
218 Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço

