Page 17 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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FIGURA 2                                          endovenosas, no entanto, uma doente referia consumir
          Etiologia das infecções cervicais                 cannabis ocasionalmente.
                                                            A sintomatologia dos doentes foi variável consoante o
                                                            tipo de infecção cervical. Em termos gerais, a odinofagia
                                                            foi o principal sintoma referido (93,6%), 80,9% disfagia,
                                                            27,7%  otalgia  reflexa.  Ao  exame  objectivo,  76%  dos
                                                            doentes apresentava trismo, 55,3% febre, 53,2% desvio
                                                            da úvula, 46,8% exsudado purulento amigdalino, 44,7%
                                                            adenopatias cervicais, e 31,9% cáries dentárias (Fig.1).
                                                            Foi encontrado abaulamento do pilar amigdalino
                                                            anterior  em  praticamente  todos  os  casos  de  fleimão
                                                            e abcesso periamigdalino e abaulamento da parede
                                                            lateral da faringe em todos os casos de abcesso
                                                            parafaríngeo. Menos frequentemente presente foi o
                                                            edema da úvula e o torcicolo encontrados em 3 e 2      ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE
                                                            doentes respectivamente.
                                                            Em média decorreram 5,3± 3,3 dias desde o surgimento
                                                            dos sintomas até ao internamento dos doentes.
                                                            Relativamente à etiologia das infecções, 64,0% tiveram
                                                            como  ponto  de  partida  amigdalite  aguda,  17,0%  uma
                                                            causa odontogénica obvia e 19,0% causa desconhecida
                                                            (Fig. 2).
          A idade média dos doentes era  31,7 ± 17,3 anos.  A   Em 27,7% dos casos não havia qualquer antibioterapia
          maioria (48,9%) era saudável, sem comorbilidades.   prévia ao internamento, 38,3% dos doentes foram
          27,7% apresentava antecedentes do foro ORL, 4,3%   medicados com Benzilpenicilina intramuscular, 17,0%
          diabetes  mellitus  e  19,1%  apresentava  outro  tipo  de   Beta-lactâmicos, 12,8% Macrólidos e 4,3% outro
          comorbilidade. Em 10,6% dos casos havia referência   antibiótico.  De  salientar  que  dentro  dos  doentes
          a uma infecção cervical profunda prévia, sendo os   medicados com Macrólidos 50% realizou Azitromicina
          abcessos periamigdalinos a patologia que recidivou   num  esquema  terapêutico  de  3  dias,  os  restantes
          mais (16,0% dos casos).                           Claritromicina. Nos doentes medicados com Beta-
          Verificou-se  que  29,8%  dos  doentes  tinham  hábitos   lactâmicos 50% realizou apenas Amoxicilina e os
          tabágicos activos e 17,0% hábitos etílicos significativos.   restantes Amoxicilina e Ácido Clavulânico (Fig. 3).
          Nenhum dos doentes referiu consumir drogas        Efectuou-se drenagem da lesão em 33 doentes, 31 por


          FIGURA 3
          Antibioterapia realizada pelos doentes antes do internamento

































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