Page 20 - Revista Portuguesa - SPORL - Vol 52 Nº3
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estas bactérias serem muitos sensíveis a exposição ao CONCLUSÃO
oxigénio. Os dados demográficos, obtidos neste estudo
A maioria das bactérias isoladas era resistente aproximam-se dos dados da literatura. As pequenas
a algum tipo de antibiótico, principalmente do discrepâncias podem ser explicadas pela variabilidade
grupo dos Macrólidos. Também se encontrou uma geográfica e populacional dos diferentes estudos.
elevada resistência à Tetraciclina e Clindamicina. Na Amigdalites de repetição e a deficiente saúde oral
generalidade as bactérias isoladas eram sensíveis à parecem ser factores de risco para estas infecções.
Penicilina e aos Beta-lactâmicos. Os valores de PCR inicial dos doentes admitidos na
De acordo com Hall , os resultados microbiológicos urgência, assim como o tipo de infecção parecem
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das infecções cervicais profundas e eventualmente predizer a duração do internamento e eventualmente
das resistências antibióticas podem ser variáveis a gravidade clínica. O número reduzido de colheitas
consoante a área geográfica, assim como com a técnica microbiológicas foi um factor limitante neste estudo. No
de isolamento microbiológica utilizada. Para além futuro, são necessários mais estudos, com metodologia
disso, existe sempre a possibilidade de contaminação rigorosa e maiores amostras, que permitam a obtenção
da amostra com microorganismos comensais da de resultados estatisticamente mais significativos e a
orofaringe. obtenção de novas conclusões.
Apesar de não se possuir casuística de anos anteriores,
parece haver um aumento de internamentos com Referências bibliográficas
1.Suehara AB, Gonçalves AJ, Alcadipani FC, Kavabata NK, et al.
infecções cervicais profundas, tal como constatado Infecções cervicais profundas: análise de 80 casos. Rev Bras
por Pereira et al . Esse aumento de incidência poderá Otorrinolaringol. 2008; 74:253-9.
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estar relacionado com o aparecimento de bactérias 2.Wang LF, Kuo WR, Tsai SM, Huang KJ. Characterizations of life-
threatening deep cervical infections: a review of one hundred ninety-
resistentes à antibioterapia, à inadequação da six cases. AM J Otolaryngol. 2003; 24:111-7.
terapêutica antibiótica inicial (Macrólidos e Beta- 3.Chen MK, When YS, Chang CC, Huang MT. Predisposing factors of
lactâmicos em doses reduzidas, esquemas posológicos life-threatening deep neck infection: logistic regression analysis of
214 cases. AM J Otolaryngol 1998; 27:141-4.
curtos e inadequados) e eventual incumprimento da 4.Pereira S, Martins JA, Novas AC, Montemor R, et al. Infecções
terapêutica pelos doentes. cervicais - Casuística dum serviço de ORL. Rev. Port. de ORL e Cir. Cerv.
Destaca-se que a existência de cáries dentárias parece Facial 2011; 49:139-45
5.Sennes L, Imamura R, Junior FV, Simoceli L, et al. Infecções dos
ser factor de risco para o surgimento de infecções espaços cervicais: estudo prospectivo de 57 casos. Rev Bras de
cervicais, principalmente de angina de Ludwig e Otorrinolaringol. 2002; 68:388-93
abcessos submandibulares, tendo-se obtido resultados 6.Parhiscar A, Har-El G. Deep neck abcess: a retrospective review of
210 cases. Ann Oto Rhinol Laryngol 2001; 110:1051-4
estatisticamente significativos nesta relação. As cáries 7.Garcia JM, Zavarce IH, Costa AS, Macía OC. Abscesso periamigdalino:
dentárias poderão representar um importante foco Incidencia y manejo actual. Rev. Port. de ORL e Cir. Cerv. Facial 2011;
infeccioso. 49:147-50
8.Ferreira M, Brito MJ, Machado MC. Abcessos faríngeos. Acta Pediatr
Embora sem resultados estatisticamente significativos, Port 2008; 39:62-5
a existência de amigdalites de repetição apresenta 9.Lee YQ, Kanagalingam J. Bacteriology of deep neck abscesses: a
uma forte associação com as infecções do espaço retrospective review of 96 consecutive cases. Singapore Med J 2011;
52(5):351
periamigdalino. 10.Ogubtebi B, Slee AM, Tanzer M, Langelan K. Predominant
O valor da PCR e o tipo de infecção cervical (angina Microflora Associated with Human Dental Periapical Abscesses. J.
de Ludwig e abcesso retrofaríngeo) parece predizer a Clin.Microbiol. 1982; 15:964–969
11.Hall SF. Peritonsillar abscess: the treatment options. AM J
duração de internamento, já que se obteve resultados Otolaryngol 1990;19:226-29
estatisticamente significativos nesta correlação. Wang et 12.Liu SA, Liaang MT, Wang CP, Wang CC et al. Pre-operative blood
al , assim como outros autores 12,13 , também encontraram sugar and C-reactive protein associated with persistent discharge
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after incision and drainage for patients with deep neck abscess. Clin
resultados estatisticamente significativos na correlação Otolaryngol. 2009; 34(4): 336-42
entre a PCR, a duração do internamento e a gravidade 13.Ohata A, Kikuchi S, Yohinami H, Takegoshi et al. Clinical study on
da infecção cervical. Em estudos futuros, poder-se-á deep neck infection; J Otolaryng Jap 2006; 109(7): 587-93
usar uma escala de valores de PCR e correlaciona-la
com a duração do internamento, de forma a predizer
a gravidade e a duração do internamento dos doentes
com esta patologia.
Salienta-se ainda que uma considerável percentagem
(10,6%) de doentes tinha antecedentes de infecção
periamigdalina ou cervical profunda prévia, o que nos
permite reflectir sobre a importância de minimizar os
factores de risco para este grupo de patologias. O que
poderá passar por melhorar os cuidados de saúde oral
e eventualmente rever os critérios de amigdalectomia.
138 REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL

