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OSTEOMAS DO OSSO TEMPORAL: APRESENTAÇÃO DE DOIS CASOS CLÍNICOS E REVISÃO DA LITERATURA.
embrionário localizado em fissuras anómalas Quanto à distinção histológica dos dois
do osso temporal; a infecciosa, relacionando tipos de tumores benignos mais frequentes do
os osteomas com infecções, nomeadamente CAE, os osteomas e as exostoses, permanece
otite média para os osteomas do ouvido médio motivo de controvérsia : Fenton et ai, 1996,
e células mastoideias; e a traumática, defen- num artigo de revisão, encontram dois tipos de
dendo serem os osteomas resultado de micro- escolas de pensamento quanto às característi-
traumatismos repetidos ou traumatismo único cas clínicas e histopatológicas de ambos.
sobre o osso. Embora sejam largamente aceites como en-
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Citando Papadakis C et ai, 2000 , o diag- tidades clínicas distintas no que se refere à
nóstico diferencial das lesões fibro-ósseas do patogénese, distribuição no canal auditivo, e
osso temporal inclui, além dos osteomas, a dis- aparência macroscópica, Pulec and Deguine,
plasia fibrosa, os meningiomas, os quistos ós- 1993 9 continuam a considerá-las como uma
seos aneurismáticos, os fibromas ossificantes e entidade clínica única. Schuknecht, 1993, cita-
não ossificantes, a doença de Paget, os osteo- do por Fenton et ai, classifica as lesões limi-
condromas, o tumor de células gigantes, os tadas ao CAE como exostoses e as que se
neoplasmas sarcomatoides e as exostoses. estendem para além deste como osteomas.
O diagnóstico definitivo assenta nos Os estudos histopatológicos são escassos:
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achados clínicos, associados aos achados ima- Freidmann e Arnold , 1993, defendem que
giológicos (habitualmente a tomografia com- todas as lesões do CAE devem ser classifi-
putorizada) e histológicos. A tomografia com- cadas como osteomas.
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putorizada mostra uma lesão única, bem Os trabalhos de Graham, 1979 , baseados
definida, de elevada densidade radiológica e, na observação comparativa ao microscópio
ao estabelecer os limites da lesão e a sua óptico e electrónico de dois casos de exostoses
relação com as estruturas vizinhas, constitui e de três de osteomas, fazem diferenciação
uma ferramenta importante para o planeamen- entre as d uas entidades, apontando como prin-
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to terapêutico · • cipal diferença entre ambas a presença de
Histologicamente podemos encontrar no canais fibrovasculares nos segundos.
crânio basicamente três tipos de osteoma: com- Estes trabalhos são aceites por muitos
pacto, esponjoso e misto, sendo este último o autores contudo, são baseados em apenas
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mais frequente • . O tipo compacto tem sistemas cinco casos. Fenton et ai, 1996, baseados no
de Havers e o esponjoso osso trabecular com triplo de casos do autor precedente, concluem
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medula óssea • Refoyo P et ai, 1995, descrevem que a presença ou ausência das estruturas
um caso raríssimo de um quarto tipo histológico: descritas por Graham não permitem fazer a
o osteoma osteóide, de localização mastoideia. distinção, já que foram por eles encontradas
Neste mesmo ano, um caso semelhante é em todos os especímenes observados, clinico e
descrito por Wilder W et ai, fazendo os autores imagiologicamente classificados como osteo-
referência neste artigo a apenas cinco outros mas ou exostoses.
casos descritos deste tipo de tumores, no crânio. De qualquer modo, a distinção clínica per-
Os osteomas osteoides, muito raros acima do manece: os osteomas são lesões únicas, unila-
pescoço, são mais frequentemente encontrados terais e pedunculadas que surgem lateralmente
nos ossos longos (nomeadamente na tíbia e no às suturas timpanoescamosa ou timpanomas-
fémur) diferenciando-se clinicamente dos demais toideia, enquanto que as exostoses são habi-
tipos histológicos pela dor intensa que condi- tualmente múltiplas, bilaterais e de base larga,
cionam, que cede habitualmente ao ácido acetil- que surgem medialmente às suturas do osso
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salicílico e restantes AINE. timpanai1· •
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